Resolvi revirar o mundo,mudar tudo.Mesmo sabendo que mudar os móveis de lugar não vai fazer com que o sentimento de casa vazia saia de nós,porém vou logo eu ocupar a minha vida de forma que não tenha tempo para as lágrimas e soluços que se mantém firme e forte toda noite enquanto o sono não vem.Nem vou me iludir com a ideia de que um dia me livre dessa dor ou da sensação de vazio,apenas quero mudar tudo,de forma que não tenha que me prender aos soluços e choros.
Vou logo rever as minhas "amizades" que poucas foram que me deram sequer um abraço e um sorriso de confiança quando mais precisei .vou rever o meu modo de viver,de forma que seja de melhor do que só respirar .vou rever a minha agenda,de forma que fique tão ocupada que nem me sobre tempo para o costumeiro respirar.vou rever a minha vida,de forma que eu a viva.mesmo que doa o viver.
sábado, 28 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
saudades.
Quando o meu avô morreu eu conheci um novo vô,um que tinha muitos amigos.Você era único vôzinho,e sei que não sou eu que preciso te dizer isto,mas digo mais a mim mesma,como um conforto por saberes o quão cumprida a sua "missão" foi.Só as vezes em cenas de egóismo quero te acordar do teu descanso só para olhar nos teus olhos mais uma vez e assim saber que direção tomar,por que seu Américo,tenho que admitir que nunca estive mais perdida,nunca soube menos o que fazer do que agora.
Mesmo querendo viver por você sei que me vetarias essa idéia,ias preferir que eu vivesse por mim isso sim,mas o "viver por mim" dói,e torna tudo um pouco mais sem sentido do que já esta,portanto queria viver por ti,em uma eterna dedicação cuidar do que mais amavas,quero cuidar do que fostes.Pois talvez assim eu possa me sentir um pouco mais próxima,talvez assim eu possa sentir você mais uma vez,ao meu lado.
Mesmo querendo viver por você sei que me vetarias essa idéia,ias preferir que eu vivesse por mim isso sim,mas o "viver por mim" dói,e torna tudo um pouco mais sem sentido do que já esta,portanto queria viver por ti,em uma eterna dedicação cuidar do que mais amavas,quero cuidar do que fostes.Pois talvez assim eu possa me sentir um pouco mais próxima,talvez assim eu possa sentir você mais uma vez,ao meu lado.
a certeza do talvez.
Talvez meu consciente nunca se acotume ao saber a razão do choro dos meus familiares,talvez os meus ouvidos nunca se acostumem com 'os pêsames' entregues,talvez meus olhos nunca se acotumem ao seu lugar vazio,..talvez eu nunca me acotume ao que é viver sem você.
pra você .
A UM AUSENTE
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste
Carlos Drummond de Andrade
de Drummond para você vovô
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.
Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?
Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.
Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste
Carlos Drummond de Andrade
de Drummond para você vovô
a culpa nossa.
Até hoje não sei se te culpo por esta dor,ou se me culpo pela minha inconformidade.Sei o quão natural é a morte,mas não quando acontece com alguém amado.Porque a ti nunca imaginei a dor de partir,a náusea de chegar ao "outro lugar" e ver que era ano novo,e que meus desejos de ano novo adiantados para você,..não se concretizariam,que a saúde,a paz e a felicidade que tanto desejamos e nós parecia até então tão clihê desejar (ao menos para mim parecia),nunca posso mais dizer isto,pois todo ano,todo dia 31 as 09h a.m. estarei desejando que no próximo ano nada do que aconteceu tenha acontecido,que você volte do hospital,e que eu nunca tenha recebido a notícia que recebi,ou a ligação que fiz pro seu celular logo em seguida eu nunca tivesse feito (pois desta... e única vez eu não ouvi a sua voz do outro lado,não era a sua voz,era qualquer outra que não soube identificar mas se desmanchou em choros quando quis falar com o meu vô).Vou incansavelmente todo dia 01 desejar não ter te enterrado em um dia primeiro,vou desejar nunca ter te enterrado.E todo dia 08 de janeiro vou te culpar por nunca querer comemorar o seu aniversário,e também vou me culpar por nunca ter te feito uma festa surpresa.
Mas o pior de tudo será que todos os dias da minha vida eu vou desejar que você esteja aqui.e talvez você nunca volte.
Mas o pior de tudo será que todos os dias da minha vida eu vou desejar que você esteja aqui.e talvez você nunca volte.
eu precisando de um pouco de Clarice.
então recorro a quem as vezes responde as minhas angústias com um pouco das suas.
Clarice Lispector
"Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas... continuarei a escrever"
Clarice Lispector
e agora vô,o que faço eu da vida sem você?
"Em tantas coisas que me ensinastes, só esquecestes de me ensinar a te esquecer.Você não me falou o que fazer da vida sem você.E eu procuro os teus abraços em quaisquer braços.E me perco no vazio de outros passos.SOFRO,E SOFRO pelo abismo que você se retirou,e me deixou aqui sozinha."
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
oi, como esta você ai?
oi,como esta você ai?Aqui não esta nada bem,na verdade estão todos esperando você voltar.Ninguém consegue acreditar que você pode não chegar a qualquer momento com o seu sorriso cabreiro e com o seu humor fajuto.Mas a cada dia é um novo dia,e de novo você não esta aqui,de novo a campainha toca e não é você,de novo não vou esperar ninguém na porta,de novo não tenho vontade de me sentar a uma mesa para almoçar,porque esta é uma mania que você estabeleceu para mim.E faço de tudo para não pensar em suas manias tão minhas ,nem em nossos momentos que ficaram gravados naquela casa.A a casa,a sua casa,você gostaria de saber que ela anda cheia todos os dias,você gostaria de ver aqueles momentos como foram a um tempo atrás,um tempo que nos fez falta,mas havia sido a tanto tempo que já estávamos acostumados a casa vazia,a mesa de almoço nossa,as conversas e a privacidade de cada um lá dentro.Mesmo que soe tão distante éramos mais próximos do que muitas famílias,éramos do nosso jeito,e isso me fascinava em viver ali,mesmo que apenas em férias..me fascinava tamanho amor,tamanho orgulho mesmo que eu tenha vivido para um dia ver o orgulho em seus olhos,e quem diria eu que eu veria isso apenas quando estivesse eu (e os muitos parentes que me cercavam) diante de seu corpo,e posso jurar que vi um sorriso,era meio que uma lágrima e um sorriso, tudo misturado.Mas me fez sorrir.Me fez saber que você estava bem.Mas bem sem mim,ou mais perto de mim do que em qualquer momento,eu não sei bem como explicar,mas de alguma forma agora é você e eu,onde vou sinto que me acompanhas,enquanto escrevo isto posso sentir as suas mãos em meu ombro me consolando,enquanto penso e só penso em tantas perguntas que tenho a fazer a ti quase as sinto respondidas,mas de uma outra forma elas também nunca se respondem.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
mas dói o não saber .
acordo e mais uma vez vejo não ser um sonho,chego a ter medo de dormir,sabendo que pela manhã irei ver os mesmos olhos inchados dos meus familiares que provavelmente choraram a noite toda.Fico olhando para todo lado,de novo procuro um abraço,são tantos braços me abraçando mas pela primeira vez na minha vida falta alguma coisa,falta aquele abraço forte que me aconchegava e me passava a total certeza de que sempre estarias comigo.você não esta mais...sinto a tua presença em todo lado,ontem mesmo em mais uma noite sem sono corri os olhos pela sala e te vi sentado,em um canto,como sempre tivesse..apenas observando.mas eu sei,ou não sei,ou tento ao menos não saber,que em meio as minhas conversas com você,em meio as minhas perguntas a qualquer intervenção divina,em meio a qualquer conforto que eu possa receber,sei que eu posso procurar,posso esperar a tua chegada para o almoço ,posso não fazer barulho de noite por você ,posso abrir a janela do seu quarto,ou arrumar a cama,..de alguma forma,que nem em palavras nem em pensamentos sei explicar,você não esta mais.esta não é a viajem que você nunca fez,ou as férias nunca antes tiradas,ou o descanso sempre tão merecido,porque há algo errado nessa viajem que pela primeira vez não te apoiei,de uma forma ou de outra,você não vai voltar no primeiro avião caso o meu irmão vá para o hospital,nem vai pegar o seu carro e correr para socorrer a minha mãe que pode precisar de ajuda,nem ao menos vais poder responder as minhas mensagens de amor eterno,...eu não sei ainda bem se pode ser verdade,mas algo me diz que não poderei mais ter os abraços que tão me fazendo tanta falta,e eu não sei como poderei sobreviver sem eles.
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